O Diretor Espiritual na Legião de Maria é considerado um dos oficiais do Praesidium. Sua importante função é compreendida e exercida de acordo com o Manual (cf. cap. XXXII). A ele nos reportamos nas afirmações seguintes.
O Diretor Espiritual do Praesidium toma parte em sua administração e seus negócios e na discussão deles. No entanto, não impõe suas idéias, pois respeita os direitos do “Praesidium”. Quer dizer: o Diretor não está acima da legislação legionária. Ele a respeita e promove. É necessário, portanto, que conheça e ame a Legião de Maria, assim como é, respeitando-a em sua espiritualidade mariana e missionária, de acordo com seu carisma fundador. Após a Catena, cabe-lhe fazer breve palestra, de preferência a modo de comentário do Manual. Trata-se de momento importante da reunião quando a palavra é dada ao Diretor. Então, pode animar e incentivar o trabalho legionário.
Vale perceber até onde alcança a liderança de um Diretor dinâmico sobre os legionários segundo a perspectiva do servo de Deus, Frank Duff: “Não receie, pois, o Diretor Espiritual chamá-los a uma virtude heróica ou propor-lhes trabalhos cuja execução requeira heroísmo. Até o que humanamente parece impossível cede à ação da graça, e esta, concede-a Deus quem lha pede. Para isso, deve insistir na fidelidade constante a cada um dos mínimos pormenores dos seus deveres, como fundamento absolutamente necessário de toda grande obra”. A propósito, não se entende a rápida expansão da Legião de Maria no mundo e especialmente em terras de missão, sem o apelo correspondido ao heroísmo apostólico dos fiéis leigos e leigas e ao dom do discernimento dos Diretores Espirituais para recrutá-los.
A época da fundação da Legião, não havia o fenômeno da falta de padres tal como se agravou nas extensas e distantes áreas do Brasil, por vários motivos bastante conhecidos da chamada crise pós-conciliar. Seria impossível compreender o que diz o Manual: na ausência do Diretor, o Praesidium deixaria de funcionar e haveria de acabar definitivamente com a sua partida. Ao contrário, entre nós muitos Praesidia conseguiram operantes e fiéis se manter, com confiança em Maria, apesar da ausência de Diretores. No entanto, mantendo-se no espírito legionário, os Praesidia vivenciaram a carência como momento especial de provação, permitido por Deus, sem desistir no convite aos sacerdotes e sem deixar de implorar ao Senhor por intercessão de Maria que dissessem sim.
Hoje a realidade não é mais tão dramática. Há bom número de sacerdotes que com alegria e generosidade servem à Legião de Maria como diretores espirituais. Além disso, o realismo pastoral ensejou a abertura para o diácono permanente e a religiosa. Ambos exercem, aqui ou acolá, a função de animadores da obra legionária através da direção espiritual. Nas reuniões dos Diretores Espirituais da Legião de Maria no Brasil se constata este fato muito promissor para o presente e o futuro da associação.
Os legionários são muito gratos aos Diretores Espirituais e os têm presentes em suas orações. De minha parte, valorizo seu empenho e dedicação. Só lhes peço que incentivem os legionários a serem discípulos e missionários de Cristo com Maria, sua Mãe. A todos abençôo com amizade e com afeto:
Dom Edson de Castro Homem
Acessor Nacional da Legião de Maria na CNBB
Página 2 – Jornal Testemunho de Fé – de 14 a 20 de junho de 2009EditorialEXÉRCITO DE MARIA POR CRISTO E SUA IGREJA
No domingo, 7 de junho passado, no Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Legionários de Maria da cidade do Rio de Janeiro e de todo o Brasil se reuniram para a peregrinação anual. Eram aproximadamente 45 mil pessoas, todas unidas pela récita e meditação dos mistérios do terço, em frente à Basílica e, logo a seguir, irmanadas na celebração eucarística da Solenidade da Santíssima Trindade. A participação da assembléia ensejou elogios do Padre reitor do Santuário, que reconheceu a vitalidade numérica e qualitativa da Legião de Maria para a Igreja, no mundo e no Brasil. Fato inconteste.
Com efeito, trata-se de um dos movimentos leigos nascidos no século passado, que mais cresceu e se desenvolveu, em frutos de vida cristã apostólica, ou, como hoje se diz, de discípulos e missionários. A Legião foi fundada por Frank Duff (1899-1980), em 7 de setembro de 1921, na cidade de Dublin, na Irlanda. Nasceu como pequena semente, de modo simples e sem pretensões, com poucas pessoas reunidas em torno de uma mesa, na qual puseram a imagem de Nossa Senhora das Graças da Medalha Milagrosa, duas velas acesas e dois vasos de flores. Tal estilo de reunião haveria de marcar a tônica das demais.
Atualmente, a Legião de Maria existe em vários países com cerca de 3 milhões de membros ativos, que se reúnem do mesmo modo. No Brasil, são 300 mil participantes ativos, sem contar os auxiliares. Tão numeroso movimento apostólico do laicato católico se estrutura a modo de exército para a glória de Deus, a santificação dos seus membros e o estabelecimento e a expansão do Reino de Cristo, pela mediação de Maria Imaculada.
A estrutura legionária se assemelha a um “exército em ordem de batalha”, em alusão à mulher bíblica do Cântico dos Cânticos (6,9), reproduzida na mulher vitoriosa do Apocalipse, “coroada de doze estrelas” (12,1). Com a Liturgia, a Legião a identifica: “o nome dela era Maria” (Lc 1,27). Então, com o estandarte da Virgem, os legionários atuam na luta a favor do senhorio de Cristo no mundo, contra as forças diabólicas do mal, do erro e da indiferença.
A organização legionária é inspirada nas legiões do antigo exército romano. Daí, a nomenclatura oficial ser toda de origem latina. Praesidium é núcleo de militantes, espécie de guarnição que se reúne semanalmente para a oração prevista e para a execução do trabalho a ser realizado. A Cúria, estruturada a modo de Conselho, vela pela observância dos regulamentos por parte dos Praesidia e dos seus membros. Uma Curia superior, conforme as necessidades locais, é instituída como Comitium. O Senatus é o Conselho que dirige os centros legionários. A Regia administra uma área grande demais para um Comitium, mas insuficiente para um Senatus. Há ainda outros nomes latinos que caracterizam a Legião de Maria: A Tessera, que traz as orações próprias dos legionários, entre as quais se encontra a Catena, que inclui a oração do Magnificat de Nossa Senhora, rezava diariamente e em cada reunião; o Vexillum, adaptado do estandarte da Legião Romana, substitui a águia pela pomba, símbolo do Espírito Santo; a Acies, festa anual de congraçamento, quando os legionários renovam o compromisso de fidelidade ao carisma.
A Legião é clássica na sua forma e muito renovadora e até audaz em seus ideais e em realizações. Quando se falava em apostolado dos leigos, ela já vivia o protagonismo integral do laicato católico, inclusive a partir de seu fundador, homem de vida santa, cujas virtudes heróicas estão em processo de reconhecimento oficial da Igreja. Quando não era incentivada a visita de leigos às casas e não existia o Ministério da Visitação, ela já se empenhava em levar seus membros, dois a dois, à morada dos católicos afastados para reconduzi-los à vida sacramental. Ainda não existia a Pastoral da Saúde, mas os legionários já visitavam doentes para prepara-los à visita do padre. Em lugares difíceis e longínquos, a única presença da Igreja muitas vezes ocorre pela solicitude de legionários. Pela constância na obra de Deus em união com Maria, a Legião é escola viva de discipulado para a missão.